terça-feira, 28 de agosto de 2012

Reporter em Pânico . Brasil e a Economia Mundial

REPORTER EM PÂNICO - by Jorge Neto ( Economia , Esporte e Lazer)


(You can find an English version at botton of the post)

Brasil e a Economia Mundial  - Janeiro de 2012 ( Alguma coisa mudou de Janeiro para cá?)

Nova etapa do crescimento exige avanços na gestão pública

A crise europeia, agravada pela inadimplência de países da Zona do Euro, como Grécia, Portugal e Espanha, ainda se insinua um dos principais desafios para 2012, alertam os analistas. Embora demandas como o avanço do nível de formalização e o – necessário, porém improvável – corte dos gastos públicos se mantenham na lista de prioridades para a pavimentação do crescimento econômico sustentado, a turbulência nos cofres europeus é uma sombra nada desprezível sobre as pretensões brasileiras rumo ao andar de cima. Uma sombra cuja extensão e cujos efeitos, de difícil prognóstico, representam ameaças, por exemplo, às exportações, ao superávit primário, aos negócios com a China, à expansão do emprego no setor industrial e até ao controle da inflação.
Para superá-las, especialistas apontam a necessidade de um amadurecimento na gestão pública, que viabilize a redução dos gastos e da informalidade. Assim, criaria-se um terreno mais favorável à melhor distribuição de renda e contrapartida social, parâmetros tão importantes ao pedigree econômico quanto o badalado sexto maior PIB do mundo. Importantes também, acrescentam os analistas, para melhor proteger o Brasil de solavancos externos.
Apesar de os economistas não se arriscarem a precisar a duração da crise além-mar, eles são unânimes sobre a longevidade e o poder de contaminação das águas turbulentas por que navegam economias tradicionais. Antídotos como o socorrto financeiro costurados pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, e pela primeira-ministra alemã, Angela Merkel, ainda esbarram no ceticismo dos mercados e dos analista. Sem alarminismo, o economista Luiz Roberto Cunha, decano do Centro de Ciências Sociais (CCS) e professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, e a jornalista Suely Caldas, professora do Departamento de Comunicação, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e autora do livro "Jornalismo Econômico" (Contexto), acreditam que a virose econômica esteja longe do fim.
– A crise na Europa pode se prolongar por muito tempo. Não tem como dizer em quanto tempo será resolvida. O cenário é muito ruim – avalia Suely – Todos os países se endividaram muito, estão com suas contas desajustadas e com déficit fiscal. Os governos gastaram mais do que podiam e isso perdurou por anos. Agora a panela de pressão estourou.
Cunha tem opinião similar. Para o especialista, a recuperação será gradual e exigirá, além de medidas técnicas, cooperação política:
– É necessário criar uma política fiscal mais dura. Fazer os países voltarem a crescer irá demorar. Existe uma união monetária entre os países, mas é preciso haver uma união política.
Desaleração chinesa acende alertas pelo mundo
O impacto relativamente brando da crise internacional no Brasil deve-se, em parte, ao fato de as commodities (produtos de exportação de origem primária) ocuparem um peso preponderante na carteira de negociações do país. Mas, de acordo com Suely, este cenário tende a mudar:
– O Brasil tem se sustentado nas exportações com as commodities, pois o preço dos itens industriais está em queda. Isso vai afetar o emprego: se as exportações dos manufaturados caem, o emprego industrial também cai.
As exportações de commodities, que tem sustentado a balança comercial, podem sofrer um baque em breve. A China – com quem o Brasil nutre um superávit econômico graças a produtos de origem primária – ensaia diminuir as importações. Assim previu o primeiro-ministro, Wen Jiabao, ao confirmar a estratégica de que a locomotiva da economia mundial vai reduzir a marcha.
– A queda da economia chinesa afeta o mundo como um todo. O Brasil, por exemplo, tem um superávit enorme com a China. Se deixarem de comprar aço, minério de ferro, as matérias-primas que ela usa para movimentar a sua indústria, isso afetará a economia Brasileira. A economia chinesa está ligada à economia mundial. Se ela cai, cai também a economia do mundo – lembra Suely.
O esfriamento da economia chinesa decorre de duas frentes: a crise na Europa e nos EUA, cuja economia dá sianis de recuperação; e a diminuição das importações como mecanismio de controle da inflação no país.
– A inflação chinesa estava acelerando. Beirava os 6%. Pressões mais fortes e alguns movimentos de greve mostram como a inflação é sempre um problema perigoso, como em qualquer país. Então, a China planeja desacelerar um pouco, para conter um salto inflacionário. Mas, mesmo com essa desaceleração, ela ainda tem um crescimento muito superior à maior parte países. A questão da China é tempo: fazer as coisas devagar, para que toda a população possa, no futuro, possa usufruir da economia de mercado – explica Cunha.
A exemplo da China, o Brasil mira um crescimento mais maduro, com fôlego para se sustentar de forma equilibrada pelas próximas décadas, mais ou menos pródigas, e com mecanismos gerenciais que garantam melhor distribuição de renda, mais vagas formais de trabalho e inflação sob controle. Enquanto busca esse amadurecimento – para o qual a gestão econômica e política revelam-se cada vez mais importantes –, o Planalto terá de digerir, neste ano, a revisão para baixo das metas esboçadas no inpício do ano passado, quando Dilma Roussef recebeu de Lula a faixa preseidencial e o otimismo do crescimento em torno de 7% ao ano. Em 2012, o avanço do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas no país) não deverá ultrapassar os 3%, atrofiado, por exemplo, pelas exportações contaminadas com a crise externa.
– Em 2010, cresceu-se mais do que podia. Era ano eleitoral, e Lula mandou colocar o pé na máquina para ganhar a eleição. Quando Dilma assumiu, teve que dar um tranco na economia. A inadimplência estava grande, então foram necessárias restrições ao crédito e aumento da taxa de juros para retrair a economia – observa Suely.
"O setor público investe pouco e investe mal"
Cunha pondera que, a despeito de a economia brasileira ter ultrapassado a Grã-Bretanha e subido para o sexto lugar no ranking dos PIBs mundiais, a admistração pública deveria preocupar-se com a qualidade dos gastos feitos com os recursos obtidos desse crescimento:
– O governo segura os gastos em obras públicas. O setor público investe muito pouco e investe mal. Não tem controle dos gastos e há muitos desvios. O governo não pode gastar muito, pois tem uma dívida muito elevada, e a qualidade desse gasto tem que ser melhorada.
O economista reconhece que a distribuição de renda e o PIB "melhoraram significativamente" nos últimos anos. Avalia que a “diminuição da inflação e os programas de distribuição de renda (como o Bolsas Família) melhorarem o quadro social”, mas ressalva: um país grande como o Brasil, e com anos de desigualdade, "leva algum tempo para resolver seus problemas".
Um deles é o nível de formalização, que, apesar dos avanços observados nos últimos anos, ainda mostra-se incompatível com a ambição brasileira de transitar entre as principais economias do mundo –não só em relação ao PIB, mas também quanto à distribuição de rende e à qualidade dos negócios e serviços. Neste sentido, o novo Simples Nacional lubrifica a esperança de mais postos formais e mais empresas legalizadas. Com a redução das tarifas (12% a 26%) para firmas cujo faturamento anual esteja abaixo de R$ 120 mil, espera-se que mais pessoas deixem a informalidade e cresça o número de pequenos empresários.
– O número de microempreendedores deve aumentar – prevê Cunha – O custo para contratar uma pessoa pode superar R$ 1 pago a cada um R$ 1 de salário, e isso influencia na informalidade. O Super Simples (como também é chamado o Simples Nacional) reduz esse custo e aumenta a possibilidade de se trabalhar por conta própria de maneira formal.
Suely concorda. Ela aposta na expansão da quantidade de mcroempreendedores no país:
– O Simples nasceu exatamente por haver muita sonegação. As microempresas não tinham condição de pagar tantos impostos assim. Agora, além de ser um imposto único, a redução das taxas pode fazer com que cresça o número de microempreendedores, os quais costumam aparecer quando o desemprego cresce – observa Suely.
Ainda mais previsível do que o aumento do número de microempreendedores atraídos pela redução tributária, o capítulo derradeiro sobre a polêmica mudança no modelo de distribução dos royalties do petróleo vai movimentar os cenários políticos, econômico e eleitoral nesse ano. A discussão voltará à pauta da Câmara e poderá se espalhar para o Planato. Para vencer a batalha que opõe os estados produtores aos demais integrantes da Federação, o governador do Rio, Sérgio Cabral, usou o vazamento na costa fluminense, causado pela Chevron, no fim do ano passado, para ilustrar a necessidade de recursos para a prevenção e contenção de impactos ambientais. Embora considere "palido" o argumento de Cabarl, a jornalista econômica acredita que será insificiente para aumantar as chances de vitória no Congresso:
– A decisão depende do Congresso e no Congresso, onde predominam representantes de estados não-produtores, que querem pegar a fatia dos royalties. O que pode acontecer é a [presidente] Dilma vetar, o que acarretaria uma nova votação, o que é improvável – acredita Suely.
Reporte em Pânico  
By Jorge Neto (Matéria do Portal da PUC Rio de janeiro)


English version


REPORTING on PANIC-by Jorge Neto (economy, sport and leisure)
Brazil-January 2012 ( So anything is changing ?)
New stage of growth requires advances in public management

The European crisis, aggravated by bad debt of Euro area countries, like Greece, Portugal and Spain, still lurks one of the main challenges for 2012, warn analysts. Although demands as the advance level of formalisation and the – necessary, however unlikely – cutting public spending to remain in the list of priorities for paving of sustained economic growth, the turmoil in European vaults is a shadow nothing despicable about Brazilian pretensions towards upstairs. A shadow which extension and whose effects, difficult prognosis, represent threats, for example, exports, the primary surplus, to business with China, the expansion of employment in the industrial sector and even to control inflation.
To overcome them, experts pointed out the need for a maturing in the public administration, which allows the reduction of expenses and informality. So, would create a more favorable terrain to better distribution of income and social contribution to economic parameters as important as the fashionable pedigree sixth largest GDP in the world. Important also, adds analysts, to better protect the Brazil of external bumps.
Although economists do not risking having the duration of the crisis overseas, they are unanimous about longevity and the power of contamination of waters turbulent for sailing traditional economies. Antidotes as the financial help sewn by the President of France, Nicolas Sarkozy, and by the German Prime Minister Angela Merkel, still face skepticism of markets and analyst. Without any exxageration, the Economist Luiz Roberto Cunha, Dean of Social Science Center (CCS) and professor of Economics at the PUC-Rio, and the journalist Suely Caldas, Professor of the Department of communication, columnist O Estado de s. Paulo and author of the book "Economic Journalism" (context), believe that the virtual economy is far from the end.
– The crisis in Europe can continue for a long time. Has no way to tell how long it will be resolved. The scenario is too bad – evaluates Suely – all countries borrowed much, are not in line with your bills and fiscal deficit. Governments spent more than they could and this has lasted for years. Now the pressure cooker broke out.
Cunha has similar opinion. For the specialist, the recovery will be gradual and will require, in addition to technical measures, political cooperation:
– It is necessary to create a tougher fiscal policy. Do the countries return to grow will take. There is a monetary union between countries, but there must be a political Union.
Chinese slow down lights alerts around the world
The relatively mild impact of the international crisis in Brazil due in part to the fact commodities the (export products of primary source) occupy a preponderant weight in country negotiations portfolio. But, according to Suely, this scenario tends to change:
– Brazil has sustained exports with commodities, because the price of industrial items is falling. This will affect the employment: If manufactured exports fall, the industrial employment also falls.
Exports commodities,, which has sustained trade balance, may suffer a thud soon. China – with whom Brazil nurtures an economic surplus thanks to primary source products – rehearse decrease imports. So predicted the Prime Minister, Wen Jiabao, to confirm the strategic that the locomotive of the world economy will reduce the March.
– The fall of the Chinese economy affects the world as a whole. The Brazil, for example, has a huge surplus with China. If they buy steel, iron ore, the raw materials which she uses to move your industry, this will affect the Brazilian economy. The Chinese economy is linked to the world economy. If she falls, falls also the world economy – remembers Suely.
The cooling Chinese economy stems from two fronts: the crisis in Europe and the United States, whose economy gives handling thread of recovery; and the decrease in imports as mechanism of control of inflation in the country.
– The Chinese inflation was accelerating. Bordered on the 6%. Stronger pressures and some strike movements show how inflation is always a dangerous problem, as in any country. Then, China plans to slow down a little, to contain an inflationary jump. But, even with the slowdown, she still has a much higher growth for most countries. The issue of China's forecast: doing things slowly, so that the entire population can, in future, can take advantage of the market economy – explains Cunha.
The example of China, the Brazil looks for more mature, with growth of breath to sustain itself in a balanced manner for the next decades, more or less lavish, and with management mechanisms that ensure better distribution of income, more formal places of work and inflation under control. While searching this maturation – for which the economic and political management are becoming increasingly important – the plateau must digest, this year, revising down the goals outlined in the speech last year when Dilma Roussef received squid the band preseidencial and the optimism of growth around 7% per year. In 2012, the advancement of gross domestic product (GDP, the sum of the wealth produced in the country) should not exceed 3%, stunted, for example, by exports contaminated with the external crisis.
– In 2010, grew more than he could. Was election year and Lula has had put his foot on the machine to win the election. When Dilma assumed, had to give a stride in the economy. Defaults was great, so were necessary restrictions on credit and interest rate increase to retract the economy – says Suely.
"The public sector and invests little and  invests in  bad way"
Cunha considers that, in spite of the Brazilian economy have overtaken Britain and risen to sixth place in the ranking of the world, the More public it should concern itself with the quality of spending with resources obtained this growth:
– The secure government spending on public works. The public sector invests very little and invests in a bad way. Has no control of spending and there are many deviations. The Government can't spend much because it has a very high debt, and the quality of this expense has to be improved.
The Economist recognizes that income distribution and the GDP "improved significantly" in recent years. Assesses that the "decline in inflation and income distribution programs (such as Family Scholarships) to improve the social framework", but caveat: a large country like Brazil, and with years of inequality, "takes some time to solve their problems".
One is the level of formalization, which, despite the progress observed in recent years, still shows-if incompatible with the ambition of transit among the major economies in the world – not only in relation to GDP, but also on the distribution of yield and quality of business and services. In this sense, the new National Simple lubricates the hope of more formal and more companies legalized jobs. With the reduction in tariffs (12% to 26%) for firms whose annual turnover is below $ 120,000, it is expected that more people leave the informality and a growing number of small entrepreneurs.
– The number of micro-loan must increase – provides Cunha – the cost to hire a person can overcome $ 1 paid each $ 1 of earnings, and this influences in informality. The Super simple (as is also called the Simple national) reduces this cost and increases the possibility of working on his own formal manner.
Suely agrees. She bet on the expansion of the amount of mcroempreendedores in the country:
– The Simple was born exactly because there are a lot of concealment. Small firms had not provided pay as many taxes as well. Now, in addition to being a single tax rate, the reduction of rates can cause a growing number of micro-loan, which usually appear when unemployment grows – says Suely.
Even more predictable than the increase in the number of micro-loan attracted by tax reduction, the final chapter on the controversial change in the distribution model royalties of oil will move the political, electoral and economic scenarios in that year. The discussion will return to the agenda of the Chamber and may be spread to the Anatolian plateau. To win the battle between the producer States to other members of the Federation, the Governor of Rio, Sérgio Cabral, used the fluminense coast leak, caused by Chevron, at the end of last year, to illustrate the need for resources for the prevention and containment of environmental impacts. Although "pale" the argument of Cabarl, the economic journalist believes will be insificiente to aumantar the chances of victory in Congress:
– The decision depends on the Congress and the Congress, dominated by representatives of States non-producers, who want to grab a slice royalties'. What can happen is the [President] Dilma veto, which would entail a new vote, which is unlikely – believes Suely.
Reporter in Panic
By Jorge Neto (Matéria do Portal da PUC Rio de janeiro)

Um comentário:

  1. Bom diagnóstico da situação, mas , a meu ver incompleto. Ainda que estejamos tomando algumas medidas bastante válidas, principalmente em relação aos micro empresários, não estou vendo foco no principal motivo pelo qual o Brasil perdeu a chance sendo a "bola da vez" no governo Lula. O inconcebível aumento do gasto público com contratações desenfreadas e o TOTAL desmando presente nas principais autarquias e órgãos do Governo, amplamente denunciados, nepotismo, contatações a esmo, não comparecimento ao trabalho e que apesar de tudo continuam assombrando os pagantes de impostos (5 ou mais meses de trabalho árduo vão para os cofres públicos) sem que consigamos usufruir um mínimo de retorno da máquina.
    Se não houver uma ação enérgica e sem volta na revisão da carga tributária e na diminuição do gasto público infelizmente não podemos negar um futuro nefasto aliado aos motivos muito bem descritos no artigo do Jornalista... Sem falar na impunidade sobre a qual estamos vislumbrando uma luz através deste julgamento do Mensalão (é o que todos esperamos). E cabe lembrar também -- ONDE ESTÀ O DINHEIRO? O QUE FAREMOS PARA QUE ELE SEJA DEVOLVIDO AOS COFRES PÙBLICOS? Sr> MALUF, não poderia dar o exemplo????
    òtimo fim de semana a todos, obrigado pela atenção!

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