REPORTER EM PÂNICO - by Jorge Neto ( Economia , Esporte e Lazer)


(You can find an English version at botton of the post)

Brasil e a Economia Mundial  - Janeiro de 2012

Nova etapa do crescimento exige avanços na gestão pública

A crise europeia, agravada pela inadimplência de países da Zona do Euro, como Grécia, Portugal e Espanha, ainda se insinua um dos principais desafios para 2012, alertam os analistas. Embora demandas como o avanço do nível de formalização e o – necessário, porém improvável – corte dos gastos públicos se mantenham na lista de prioridades para a pavimentação do crescimento econômico sustentado, a turbulência nos cofres europeus é uma sombra nada desprezível sobre as pretensões brasileiras rumo ao andar de cima. Uma sombra cuja extensão e cujos efeitos, de difícil prognóstico, representam ameaças, por exemplo, às exportações, ao superávit primário, aos negócios com a China, à expansão do emprego no setor industrial e até ao controle da inflação.
Para superá-las, especialistas apontam a necessidade de um amadurecimento na gestão pública, que viabilize a redução dos gastos e da informalidade. Assim, criaria-se um terreno mais favorável à melhor distribuição de renda e contrapartida social, parâmetros tão importantes ao pedigree econômico quanto o badalado sexto maior PIB do mundo. Importantes também, acrescentam os analistas, para melhor proteger o Brasil de solavancos externos.
Apesar de os economistas não se arriscarem a precisar a duração da crise além-mar, eles são unânimes sobre a longevidade e o poder de contaminação das águas turbulentas por que navegam economias tradicionais. Antídotos como o socorrto financeiro costurados pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, e pela primeira-ministra alemã, Angela Merkel, ainda esbarram no ceticismo dos mercados e dos analista. Sem alarminismo, o economista Luiz Roberto Cunha, decano do Centro de Ciências Sociais (CCS) e professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, e a jornalista Suely Caldas, professora do Departamento de Comunicação, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e autora do livro "Jornalismo Econômico" (Contexto), acreditam que a virose econômica esteja longe do fim.
– A crise na Europa pode se prolongar por muito tempo. Não tem como dizer em quanto tempo será resolvida. O cenário é muito ruim – avalia Suely – Todos os países se endividaram muito, estão com suas contas desajustadas e com déficit fiscal. Os governos gastaram mais do que podiam e isso perdurou por anos. Agora a panela de pressão estourou.
Cunha tem opinião similar. Para o especialista, a recuperação será gradual e exigirá, além de medidas técnicas, cooperação política:
– É necessário criar uma política fiscal mais dura. Fazer os países voltarem a crescer irá demorar. Existe uma união monetária entre os países, mas é preciso haver uma união política.
Desaleração chinesa acende alertas pelo mundo
O impacto relativamente brando da crise internacional no Brasil deve-se, em parte, ao fato de as commodities (produtos de exportação de origem primária) ocuparem um peso preponderante na carteira de negociações do país. Mas, de acordo com Suely, este cenário tende a mudar:
– O Brasil tem se sustentado nas exportações com as commodities, pois o preço dos itens industriais está em queda. Isso vai afetar o emprego: se as exportações dos manufaturados caem, o emprego industrial também cai.
As exportações de commodities, que tem sustentado a balança comercial, podem sofrer um baque em breve. A China – com quem o Brasil nutre um superávit econômico graças a produtos de origem primária – ensaia diminuir as importações. Assim previu o primeiro-ministro, Wen Jiabao, ao confirmar a estratégica de que a locomotiva da economia mundial vai reduzir a marcha.
– A queda da economia chinesa afeta o mundo como um todo. O Brasil, por exemplo, tem um superávit enorme com a China. Se deixarem de comprar aço, minério de ferro, as matérias-primas que ela usa para movimentar a sua indústria, isso afetará a economia Brasileira. A economia chinesa está ligada à economia mundial. Se ela cai, cai também a economia do mundo – lembra Suely.
O esfriamento da economia chinesa decorre de duas frentes: a crise na Europa e nos EUA, cuja economia dá sianis de recuperação; e a diminuição das importações como mecanismio de controle da inflação no país.
– A inflação chinesa estava acelerando. Beirava os 6%. Pressões mais fortes e alguns movimentos de greve mostram como a inflação é sempre um problema perigoso, como em qualquer país. Então, a China planeja desacelerar um pouco, para conter um salto inflacionário. Mas, mesmo com essa desaceleração, ela ainda tem um crescimento muito superior à maior parte países. A questão da China é tempo: fazer as coisas devagar, para que toda a população possa, no futuro, possa usufruir da economia de mercado – explica Cunha.
A exemplo da China, o Brasil mira um crescimento mais maduro, com fôlego para se sustentar de forma equilibrada pelas próximas décadas, mais ou menos pródigas, e com mecanismos gerenciais que garantam melhor distribuição de renda, mais vagas formais de trabalho e inflação sob controle. Enquanto busca esse amadurecimento – para o qual a gestão econômica e política revelam-se cada vez mais importantes –, o Planalto terá de digerir, neste ano, a revisão para baixo das metas esboçadas no inpício do ano passado, quando Dilma Roussef recebeu de Lula a faixa preseidencial e o otimismo do crescimento em torno de 7% ao ano. Em 2012, o avanço do Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas no país) não deverá ultrapassar os 3%, atrofiado, por exemplo, pelas exportações contaminadas com a crise externa.
– Em 2010, cresceu-se mais do que podia. Era ano eleitoral, e Lula mandou colocar o pé na máquina para ganhar a eleição. Quando Dilma assumiu, teve que dar um tranco na economia. A inadimplência estava grande, então foram necessárias restrições ao crédito e aumento da taxa de juros para retrair a economia – observa Suely.
"O setor público investe pouco e investe mal"
Cunha pondera que, a despeito de a economia brasileira ter ultrapassado a Grã-Bretanha e subido para o sexto lugar no ranking dos PIBs mundiais, a admistração pública deveria preocupar-se com a qualidade dos gastos feitos com os recursos obtidos desse crescimento:
– O governo segura os gastos em obras públicas. O setor público investe muito pouco e investe mal. Não tem controle dos gastos e há muitos desvios. O governo não pode gastar muito, pois tem uma dívida muito elevada, e a qualidade desse gasto tem que ser melhorada.
O economista reconhece que a distribuição de renda e o PIB "melhoraram significativamente" nos últimos anos. Avalia que a “diminuição da inflação e os programas de distribuição de renda (como o Bolsas Família) melhorarem o quadro social”, mas ressalva: um país grande como o Brasil, e com anos de desigualdade, "leva algum tempo para resolver seus problemas".
Um deles é o nível de formalização, que, apesar dos avanços observados nos últimos anos, ainda mostra-se incompatível com a ambição brasileira de transitar entre as principais economias do mundo –não só em relação ao PIB, mas também quanto à distribuição de rende e à qualidade dos negócios e serviços. Neste sentido, o novo Simples Nacional lubrifica a esperança de mais postos formais e mais empresas legalizadas. Com a redução das tarifas (12% a 26%) para firmas cujo faturamento anual esteja abaixo de R$ 120 mil, espera-se que mais pessoas deixem a informalidade e cresça o número de pequenos empresários.
– O número de microempreendedores deve aumentar – prevê Cunha – O custo para contratar uma pessoa pode superar R$ 1 pago a cada um R$ 1 de salário, e isso influencia na informalidade. O Super Simples (como também é chamado o Simples Nacional) reduz esse custo e aumenta a possibilidade de se trabalhar por conta própria de maneira formal.
Suely concorda. Ela aposta na expansão da quantidade de mcroempreendedores no país:
– O Simples nasceu exatamente por haver muita sonegação. As microempresas não tinham condição de pagar tantos impostos assim. Agora, além de ser um imposto único, a redução das taxas pode fazer com que cresça o número de microempreendedores, os quais costumam aparecer quando o desemprego cresce – observa Suely.
Ainda mais previsível do que o aumento do número de microempreendedores atraídos pela redução tributária, o capítulo derradeiro sobre a polêmica mudança no modelo de distribução dos royalties do petróleo vai movimentar os cenários políticos, econômico e eleitoral nesse ano. A discussão voltará à pauta da Câmara e poderá se espalhar para o Planato. Para vencer a batalha que opõe os estados produtores aos demais integrantes da Federação, o governador do Rio, Sérgio Cabral, usou o vazamento na costa fluminense, causado pela Chevron, no fim do ano passado, para ilustrar a necessidade de recursos para a prevenção e contenção de impactos ambientais. Embora considere "palido" o argumento de Cabarl, a jornalista econômica acredita que será insificiente para aumantar as chances de vitória no Congresso:
– A decisão depende do Congresso e no Congresso, onde predominam representantes de estados não-produtores, que querem pegar a fatia dos royalties. O que pode acontecer é a [presidente] Dilma vetar, o que acarretaria uma nova votação, o que é improvável – acredita Suely.
Reporte em Pânico  
By Jorge Neto

English version


REPORTING on PANIC-by Jorge Neto (economy, sport and leisure)
Brazil-January 2012
New stage of growth requires advances in public management

The European crisis, aggravated by bad debt of Euro area countries, like Greece, Portugal and Spain, still lurks one of the main challenges for 2012, warn analysts. Although demands as the advance level of formalisation and the – necessary, however unlikely – cutting public spending to remain in the list of priorities for paving of sustained economic growth, the turmoil in European vaults is a shadow nothing despicable about Brazilian pretensions towards upstairs. A shadow which extension and whose effects, difficult prognosis, represent threats, for example, exports, the primary surplus, to business with China, the expansion of employment in the industrial sector and even to control inflation.
To overcome them, experts pointed out the need for a maturing in the public administration, which allows the reduction of expenses and informality. So, would create a more favorable terrain to better distribution of income and social contribution to economic parameters as important as the fashionable pedigree sixth largest GDP in the world. Important also, adds analysts, to better protect the Brazil of external bumps.
Although economists do not risking having the duration of the crisis overseas, they are unanimous about longevity and the power of contamination of waters turbulent for sailing traditional economies. Antidotes as the financial help sewn by the President of France, Nicolas Sarkozy, and by the German Prime Minister Angela Merkel, still face skepticism of markets and analyst. Without any exxageration, the Economist Luiz Roberto Cunha, Dean of Social Science Center (CCS) and professor of Economics at the PUC-Rio, and the journalist Suely Caldas, Professor of the Department of communication, columnist O Estado de s. Paulo and author of the book "Economic Journalism" (context), believe that the virtual economy is far from the end.
– The crisis in Europe can continue for a long time. Has no way to tell how long it will be resolved. The scenario is too bad – evaluates Suely – all countries borrowed much, are not in line with your bills and fiscal deficit. Governments spent more than they could and this has lasted for years. Now the pressure cooker broke out.
Cunha has similar opinion. For the specialist, the recovery will be gradual and will require, in addition to technical measures, political cooperation:
– It is necessary to create a tougher fiscal policy. Do the countries return to grow will take. There is a monetary union between countries, but there must be a political Union.
Chinese slow down lights alerts around the world
The relatively mild impact of the international crisis in Brazil due in part to the fact commodities the (export products of primary source) occupy a preponderant weight in country negotiations portfolio. But, according to Suely, this scenario tends to change:
– Brazil has sustained exports with commodities, because the price of industrial items is falling. This will affect the employment: If manufactured exports fall, the industrial employment also falls.
Exports commodities,, which has sustained trade balance, may suffer a thud soon. China – with whom Brazil nurtures an economic surplus thanks to primary source products – rehearse decrease imports. So predicted the Prime Minister, Wen Jiabao, to confirm the strategic that the locomotive of the world economy will reduce the March.
– The fall of the Chinese economy affects the world as a whole. The Brazil, for example, has a huge surplus with China. If they buy steel, iron ore, the raw materials which she uses to move your industry, this will affect the Brazilian economy. The Chinese economy is linked to the world economy. If she falls, falls also the world economy – remembers Suely.
The cooling Chinese economy stems from two fronts: the crisis in Europe and the United States, whose economy gives handling thread of recovery; and the decrease in imports as mechanism of control of inflation in the country.
– The Chinese inflation was accelerating. Bordered on the 6%. Stronger pressures and some strike movements show how inflation is always a dangerous problem, as in any country. Then, China plans to slow down a little, to contain an inflationary jump. But, even with the slowdown, she still has a much higher growth for most countries. The issue of China's forecast: doing things slowly, so that the entire population can, in future, can take advantage of the market economy – explains Cunha.
The example of China, the Brazil looks for more mature, with growth of breath to sustain itself in a balanced manner for the next decades, more or less lavish, and with management mechanisms that ensure better distribution of income, more formal places of work and inflation under control. While searching this maturation – for which the economic and political management are becoming increasingly important – the plateau must digest, this year, revising down the goals outlined in the speech last year when Dilma Roussef received squid the band preseidencial and the optimism of growth around 7% per year. In 2012, the advancement of gross domestic product (GDP, the sum of the wealth produced in the country) should not exceed 3%, stunted, for example, by exports contaminated with the external crisis.
– In 2010, grew more than he could. Was election year and Lula has had put his foot on the machine to win the election. When Dilma assumed, had to give a stride in the economy. Defaults was great, so were necessary restrictions on credit and interest rate increase to retract the economy – says Suely.
"The public sector and invests little and  invests in  bad way"
Cunha considers that, in spite of the Brazilian economy have overtaken Britain and risen to sixth place in the ranking of the world, the More public it should concern itself with the quality of spending with resources obtained this growth:
– The secure government spending on public works. The public sector invests very little and invests in a bad way. Has no control of spending and there are many deviations. The Government can't spend much because it has a very high debt, and the quality of this expense has to be improved.
The Economist recognizes that income distribution and the GDP "improved significantly" in recent years. Assesses that the "decline in inflation and income distribution programs (such as Family Scholarships) to improve the social framework", but caveat: a large country like Brazil, and with years of inequality, "takes some time to solve their problems".
One is the level of formalization, which, despite the progress observed in recent years, still shows-if incompatible with the ambition of transit among the major economies in the world – not only in relation to GDP, but also on the distribution of yield and quality of business and services. In this sense, the new National Simple lubricates the hope of more formal and more companies legalized jobs. With the reduction in tariffs (12% to 26%) for firms whose annual turnover is below $ 120,000, it is expected that more people leave the informality and a growing number of small entrepreneurs.
– The number of micro-loan must increase – provides Cunha – the cost to hire a person can overcome $ 1 paid each $ 1 of earnings, and this influences in informality. The Super simple (as is also called the Simple national) reduces this cost and increases the possibility of working on his own formal manner.
Suely agrees. She bet on the expansion of the amount of mcroempreendedores in the country:
– The Simple was born exactly because there are a lot of concealment. Small firms had not provided pay as many taxes as well. Now, in addition to being a single tax rate, the reduction of rates can cause a growing number of micro-loan, which usually appear when unemployment grows – says Suely.
Even more predictable than the increase in the number of micro-loan attracted by tax reduction, the final chapter on the controversial change in the distribution model royalties of oil will move the political, electoral and economic scenarios in that year. The discussion will return to the agenda of the Chamber and may be spread to the Anatolian plateau. To win the battle between the producer States to other members of the Federation, the Governor of Rio, Sérgio Cabral, used the fluminense coast leak, caused by Chevron, at the end of last year, to illustrate the need for resources for the prevention and containment of environmental impacts. Although "pale" the argument of Cabarl, the economic journalist believes will be insificiente to aumantar the chances of victory in Congress:
– The decision depends on the Congress and the Congress, dominated by representatives of States non-producers, who want to grab a slice royalties'. What can happen is the [President] Dilma veto, which would entail a new vote, which is unlikely – believes Suely.
Reporter in Panic
By Jorge Neto


Energia Solar  é a aposta de grandes e pequenas empresas.

Matéria publicada no Portal da Puc-Rio, escrita por Jorge Neto " O Reporter em Pânico" .

24/05/2012

Mesmo tendo o maior potencial para geração de energia solar no planeta (280 dias de sol por ano), o Brasil pouco a utiliza. Isto, porém, está mudando. “Energia fotovoltaica é a energia do futuro”, afirma Eduardo Lana, gerente de Planejamento da Light Esco, braço do grupo Light que atua na comercialização de projetos de eficiência energética. Empresas de grande porte como a Petrobras e a Light, além de pequenas como a Solbravo, incubada no Instituto Tecnológico do Paraná, voltam suas atenções para o melhor aproveitamento da energia solar.
O Maracanã, atualmente em reforma para a Copa do Mundo de 2014, terá uma usina fotovoltaica em sua cobertura. A energia gerada diariamente será suficiente para abastecer 240 residências, e evitará o lançamento de cerca de 2.500 toneladas de CO2 no ar ao longo dos 25 anos de atividade das placas.
O próprio Maracanã, entretanto, não será abastecido diretamente pela energia que vai produzir – equivalente a 25% do que consome. Isto porque, como explica Lana, a produção é diurna, enquanto o estádio demanda energia à noite, e “energia não se armazena”. A produção será negociada no mercado livre de energia, e abatida do investimento realizado pela Light no estádio. A Light Esco investirá R$ 6 milhões no projeto, em parceria com a Electricité de France (EDF).
Projeto parecido vai ocorrer no Mineirão, estádio de Belo Horizonte, onde a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) já planejava a construção de uma usina fotovoltaica na cobertura do estádio.
– Assim surgiu a ideia de fazer uma no Maracanã, que é o estádio mais importante da Copa – conta Lana.
O projeto não deve parar por aí. A usina principal, em cima do estádio, deve ser entregue em conjunto com a reforma para a Copa do Mundo, mas as empresas envolvidas estudam expandi-la para instalações vizinhas, como o Maracanãzinho, Célio de Barros, Júlio de Lamare, Uerj. O objetivo é transformar a região num grande complexo solar.


– Neste primeiro momento, com o problema de cronograma que o governo do estado enfrenta, com a Copa das Confederações, ano que vem, nossos esforços estão voltados para a construção somente em cima do estádio, mas vamos estudar a viabilização da ampliação para todo o complexo do Maracanã – afirmou o gerente.
A certeza do bom retorno do investimento (os R$ 6 milhões devem ser recuperados em dez anos) e o interesse em “vender uma imagem de sustentabilidade para o mercado e incentivar essa nova fonte de energia” levaram a Light a criar e desenvolver outras usinas no Rio.
– Além do Maracanã, estamos investindo em outros projetos, como a Biblioteca Estadual do Rio de Janeiro, o Museu da Energia e outros projetos que estão em de avaliação – revelou Lana.
Outra empresa que investe em energia fotovoltaica é a Petrobras. Com aval da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a empresa instalará em Alto do Rodrigues, município do Rio Grande do Norte situado a 200 quilômetros de Natal, uma usina fotovoltaica experimental com a capacidade de 1,1 MW (megawatt), o suficiente para abastecer 1.500 casas.
A usina fotovoltaica, que começará a ser desenvolvida este ano, será a segunda de grande porte no Brasil. A primeira, inaugurada em agosto de 2011, foi a Usina Solar de Tauá, do grupo MPX (propriedade do empresário Eike Batista), na cidade de Tauá, Ceará, com capacidade de um megawatt, equivalente à produção da Petrobras.
O custo da nova usina, que será instalada no terreno de uma termelétrica da Petrobras, gira em torno de R$ 20,9 milhões e entrará em atividade no segundo semestre de 2014. A energia gerada será utilizada pela própria companhia.
A energia solar não tem atraído somente grandes empresas. A empresa Solbravo, incubada no Instituto de Tecnologia do Paraná, trabalha para ampliar o consumo e buscar soluções para o alto custo das placas solares, além de torná-las mais bonitas:



– Muitas pessoas não instalam os painéis no telhado por aspectos estéticos. Então, integrar as placas em peças que as pessoas já conheçam, como telhas e vidro, torna mais fácil a aceitação por parte do cliente. Daí surgiu a ideia de utilizar um conceito já usado na Europa, chamado building integrated photovoltaic, integrando a energia fotovoltaica em edificações – disse Rodrigo Silvestre, diretor de operações da Solbravo.
Enquanto suas concorrentes instalavam um painel em cima da telha, eles fizeram um produto único, o que, de acordo com Rodrigo, reduz o custo e melhora a resistência.
Para habitações convencionais com consumo entre 100kw/h e 300kw/h, a maior parte das habitações no Brasil, é possível abastecer a casa com a utilização de telhas fotovoltaicas em 50% do telhado (cerca de 1.600 telhas). O cliente pode ainda se tornar um produtor de energia se sua produção for maior que seu consumo.
Para o diretor, além da estética, as telhas apresentam também uma vantagem monetária sobre as placas:


– Uma placa solar de alto desempenho, com 240 watts de potência, custa em torno de R$ 3 mil, enquanto as 90 telhas que seriam necessárias para gerar a mesma quantidade de energia custariam aproximadamente 80% desse valor.
Na PUC-Rio, a busca por essa energia solar mais barata também já agita as atividades no Centro Técnico Científico.
Em busca da melhor utilização de energias renováveis, o engenheiro Marco Aurélio Pacheco, professor do Departamento de Engenharia Elétrica, criou um simulador de nanoestruturas capaz de produzir e desenvolver células híbridas que transmitem energia solar, o que no futuro pode diminuir significativamente seu custo, além de aumentar sua eficiência:
– As células fotovoltaicas têm um problema de alto custo, então não se viabilizam para projetos que não sejam especiais, como o caso de locais desertos, onde a única opção é a energia solar – avalia Marco Aurélio.
De acordo com o engenheiro, essas células híbridas seriam geradas a partir no nióbio, um minério abundante no Brasil, o que reduziria os custos. As novas células também teriam eficiência de conversão de até 28%, bem maior que os 16% que as células comercializadas hoje em dia atingem. Esses dois fatores já reduziriam o custo em 50%.
– Toda célula fotovoltaica está aquém do seu limite físico de eficiência, e o que se busca no mundo todo é uma forma suficientemente eficiente, de baixo custo e com praticidade de implantação para gerar energia. Tem muita energia para ser explorada – afirma o professor.


Portal da PUC - Rio   by Jorge Neto



Há 40 anos Watergate
Matéria publicada no Portal da Puc-Rio, escrita por Jorge Neto " O Reporter em Pânico" .  15/06/2012

Há 40 anos, em 18 de junho de 1972, o jornal The Washington Post noticiava a invasão à sede do Comitê Nacional Democrata dos Estados Unidos. A notícia marcou o início da cobertura jornalística que culminaria, dois anos depois, na renúncia do presidente americano Richard Nixon, em 1974, no mais emblemático caso de jornalismo investigativo, o Watergate.
Quatro décadas depois, a saga dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein – que chegou às telas do cinema como Todos os homens do presidente (foto), em 1976, com Robert Redford e Dustin Hoffman nos papéis principais – continua a inspirar estudantes e jornalistas de todo o mundo.
Professor, pesquisador de jornalismo e coordenador de Graduação do Curso de Comunicação Social da PUC-Rio, Leonel Aguiar acredita que Watergate permanece no imaginário ainda hoje pelo mérito de lembrar aos cidadãos e às forças no poder uma das principais funções do jornalismo:
Mauro Pimentel
Mauro Pimentel

– É um caso exemplar, no sentido de recuperar a função social do jornalismo de vigilância da sociedade em relação aos poderes constituídos. É o grande momento em que o jornalismo conseguiu jogar luz sobre uma série de questões nebulosas nessas relações de poderes que se passavam, levando à queda de um presidente dos Estados Unidos. O jornalismo é um dos pilares de defesa da sociedade.
Para o jornalista Chico Otávio, repórter especial do jornal O Globo e professor de Redação em Jornalismo Impresso da PUC-Rio, as novas gerações têm o trabalho de Woodward e Berstein como uma herança:
Divulgação
 Divulgação

– Watergate deixou duas marcas fundamentais para o jornalismo: o exemplo de esforço jornalístico, em que os repórteres checaram e rechecaram os dados da lista do comitê de reeleição do presidente, procurando entre mais de 100 nomes alguém que pudesse dar informações sobre a contabilidade do comitê; e o modo de se relacionar com a fonte, mostrando como trabalhar bem e extrair o máximo de uma fonte em off com o Garganta Profunda (o então diretor do FBI Mark Felt). Nada do que ele disse foi usado diretamente nas matérias.
Na era dos dossiês, o presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o jornalista Marcelo Moreira, destaca a importância de se diferenciar o jornalismo investigativo do mero oportunismo político.

Divulgação
 Divulgação
– Hoje o que acontece muito no meio político é a prática dos dossiês: alguém prepara uma série de documentos contra um inimigo político e entrega na mão do jornalista, que publica se houver interesse público. Não há o trabalho de investigar – comenta.
Mas, na era digital, o jornalismo não é mais como era antigamente. Para Moreira, o ritmo cada vez mais frenético das redações, que concorrem minuto a minuto pela velocidade da notícia, é um entrave ao exercício do jornalismo investigativo, que exige tempo:
– As ferramentas disponíveis hoje abriram muito o leque para que o jornalista obtenha informação. Mas as redações aceleraram os seus processos. Reportagens de fôlego, mas prolongadas, são cada vez mais raras. Por isso, acredito que seria improvável um caso como este voltar a acontecer – diagnostica Moreira.
Aguiar também se mostra divido quanto aos benefícios dessas mídias:
– Por um lado, a internet possibilita novas técnicas, como a reportagem assistida por computador (RAC). Por outro, cria uma falta de precisão na apuração das informações, o grande problema do jornalismo instantâneo. O jornalista deixa de ser jornalista para se tornar um “instantaneísta”.

Mauro Pimentel
 Mauro Pimentel
Responsável por matérias de grande repercussão como a máfia do INSS e o caso Riocentro, Chico Otavio acredita que a tecnologia pode ser grande aliada do trabalho de apuração nas redações.
– As novas mídias facilitam essa investigação. Por causa da série de postagens do ex-governador Anthony Garotinho em seu blog, comecei a apurar o suposto envolvimento do governador do Rio, Sérgio Cabral, com um empreiteiro que está na berlinda no escândalo Cachoeira. É um político pautando redações por meio da mídia eletrônica – exemplificou Chico, referindo-se à construtora Delta, que concentrava o maior número de contratos do PAC em todo o país e hoje, alvo da CPI e declarada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU), está impedida de executar obras públicas.
O presidente da Abraji lamenta ver atualmente pouco do verdadeiro jornalismo investigativo:
Mauro Pimentel
 Mauro Pimentel

– São poucas aquelas matérias em que o repórter busca a fonte primária de informação, produz a conclusão com base nas informações que ele próprio apurou. Este é o que eu considero o jornalismo investigativo legítimo. São poucas as redações que dão esse tempo, e os repórteres que têm essa paciência.
“Mídia não serve só para ganhar dinheiro”, lembrou Carl Bernstein em 2010, em palestra no Rio, em homenagem ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Relembre a entrevista que ele concedeu ao Portal PUC-Rio Digital após o seminário.

Confira também o material especial do Washington Post sobre os 40 anos de Watergate.


 By Jorge Neto  do Portal da PUC - Rio de Janeiro  







































































Nenhum comentário:

Postar um comentário